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domingo, 14 de setembro de 2008

Filme: The Long Weekend (Quase virgens)



Pérola ou lixo?




Como diz o cartaz: two brothers, one weekend and no shame.
Um cara fixado em vídeos antigos e memórias escatológicas e bizarras enfrenta os paradigmas de seu irmão mais velho quando o último resolve que ele precisa transar na semana do seu aniversário porque ele não estava juntando mais coisa com coisa depois que recebeu um aviso de demissão: seus trabalhos publicitários já não se encaixavam com idéias para a vida dos clientes.
Cooper (Chris Klein) é o irmão mais velho narcisista (fazendo sucesso como ator e modelo no Japão) e Ed Vaxman (Brendan Fehr) é o irmão mais novo, que desde pequeno grava em vídeo as situações mais inusitadas e escatológicas (típicas das videocassetadas do Faustão ou de perversões bizarras), cultivando sua vocação como publicitário/diretor desde cedo.

Ed, depois de perder a namorada por sempre se relacionar impessoalmente/indiretamente com ela (não se importava com a sua traição, somente se fosse gravada em vídeo) e mesmo assim continuar crendo que o relacionamento andava bem, é impressionado pelo seu irmão mais velho quando ele o mostra que sua ex-namorada já se casou com outro "no seu nariz", começando uma história de Dom Quixote às avessas em busca de sexo (o que, de acordo com os paradigmas de Cooper, resolveria o comportamento de Ed).

Nas armações de Cooper para fazer o irmão mais novo transar, os desencontros entre as intenções e as possibilidades se cruzam de modo absurdo na mente de Ed, passando por circunstâncias onde o cinismo e a bizarrice "mórbidos" são extremamente fortes (principalmente pelo foco do diretor, com colagens de cenas de sexo de animais e sarcasmo de mau-gosto) que refletem os choques entre as recordações e os ímpetos da libido, e a reflexão sobre o absurdo que o faz chegar ao limite de renegar a tutela do irmão mais velho quando as situações acabam levando-o até à cadeia, lhe trazendo à mente o grau da desordem momentânea na sua vida, além de descobrir que tudo era armação do seu irmão (com a desculpa de aumentar a auto-estima, obviamente pagando as prostitutas e promovendo o os acontecimentos como um ator está habituado, tipicamente).

Seus desencontros levam o remorso a Cooper, que chega a sair só de toalhas à rua para lhe pedir desculpas e, sem sucesso, faz uma promessa a Deus que largaria sua extrema vaidade e se dedicaria a papéis sérios na sua carreira de ator se houvesse reconciliação com Ed.

Depois de penar e reclamar por não poder pagar uma passagem de ônibus depois de ter saído sem dinheiro ao brigar com o irmão, Ed encontra uma artista plástica, com quem fala sobre seus sentimentos e finalmente consegue resolver tudo que estava pendente em sua vida, organizando os aspectos de suas fixações em modelos aceitáveis, ganha um cargo superior no trabalho e seu irmão ainda cumpre a promessa e parece largar de vez a extrema vaidade para se dedicar ao verdadeiro teatro.

A melhor parte do filme é o final: os erros durante as gravações.


****************** Psico
A personagem principal tem um cinismo patético (pela desolação na síntese sexual em certos momentos), o que revela uma semiótica desviada, descompensação ou orientação pervertida para sinais escatológicos, reforçada pelo momento decisivo de "procurar sexo" incutido pelo irmão mais velho que, por retardo no insight ou pela falta de autonomia do sujeito, tem representação em momentos decisivos em jogos sexuais com prostitutas que mostra a cisão entre a representação escatológica de sexo e relacionamento pessoal, que é resolvido quando as circunstâncias desfazem as suas fixações momentâneas e permitem a organização de fatores psicológicos e orgânicos.

******************* Direção
A linha de direção é uma mistura de inserções de vídeos amadores com o foco da personagem principal, com discurso direto e sem narração nem apelos a estereótipos (raro para o tipo) mas com estigmatização de personagens, o que até pode ser justificado pela velocidade do filme, que se passa em um fim-de-semana e não explora mais do que, digo, 3 características de cada personagem.

********************* Atuação
Mulheres lindas e atores competentes para a representação de personagens estigmatizadas. Nivelando por baixo, o figurino e a direção de arte já fazem a maior parte do trabalho dos atores.

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